SKATE INSTITUCIONAL

Apresentamos uma nova colaboradora do site da federação de skate,
Carla Mata, 23 anos de skateboard, Natural do Piauí, mãe de skatistas,
diretora da Federação Piauiense de Skateboard (FEPISk),especialista em associações e federações , tem muito a colaborar e nos inspirar com suas idéias em prol do skate, adaptando a realidade do nosso estado. fiquem com seu artigo sobre skate institucional

SKATE INSTITUCIONAL

O skate institucional é esse skate organizado através de associações, federações e confederação.

É o skate institucional que ajuda na elaboração e acompanhamento de projetos de pistas de skate, campeonatos e outros tipos eventos do universo deste esporte.

Nos últimos meses tem surgido obras públicas em forma de construção de pistas de skate nos mais diversos municípios do Nordeste. E alguns projetos não têm a participação dos skatistas, e por isso algumas obras serão motivo de piada, pois não atenderão à expectativa dos skatistas, que são os beneficiários de uma obra destas.

Isso é um alerta e evidencia a necessidade de reflexão e autocrítica sobre o skate institucional.

Normalmente quem compõe as entidades de skate são os skatistas. Isso é um diferencial do nosso esporte. O skate sempre foi de skatista para skatista.

Em outros esportes a gestão esportiva é mista. Tem todo tipo de ajuda e não é prerrogativa dos esportivas da modalidade, mas uma coisa é comum a todos os esportes, a representatividade.

É até uma lógica skatista representar skatista, assim como em outros esportes deveria ser. Por exemplo, o gestor do vôlei é alguém ligado ao vôlei; gestor de judô é alguém com história de vida no judô; gestor do futebol é alguém que no mínimo tem relação com o futebol, nem que seja uma relação financeira. Isso é representatividade.

A exigência mínima para ser representante institucional de um esporte ou clube esportivo, é que a pessoa seja filiada a uma instituição de base, no caso uma associação. Ninguém ousaria concorrer como dirigente do Corinthians ou do Flamengo sem ser associado ao clube. Para ter acesso ao clube tem que ter carteirinha!

As entidades de esporte do Brasil são hierárquicas, representativas e de estrutura confederativa, ou seja, as pessoas são filiadas a uma associação, as associações são as fundadoras das federações e as federações fundam a confederação. Com esse modelo de gestão, temos a garantia de que os esportistas participem de tudo, na base, através das associações e assim, o processo de decisão não será impositivo, mas será sempre democraticamente participativo, representativo.

Perante os órgãos públicos, governos, COB, patrocinadores, etc, quem representa os skatistas são as instituições. Por mais que exista uma pessoa que tenha dedicação pessoal ao esporte e as demandas sociais do esporte, na hora de formalizar convênios, contratos, projetos, benefícios e obrigações, não é feito em nome e no CPF do skatista (pessoa física), mas sim em nome de uma entidade que tem CNPJ (pessoa jurídica).

Até uma regra e formato oficial de competição, são pensados por pessoas físicas, mas são formalizados nas instituições, porque as competições oficiais são responsabilidade das instituições de gestão do esporte.

O skate no Brasil sempre teve dificuldade em conseguir uma organização institucional porque somente uma pequena parte dos skatistas se interessa por essa causa, mas mesmo assim somos pioneiros mundiais em organização institucional. Somos um dos poucos países do mundo com uma confederação (CBSk) que tem o papel de gerir e organizar o esporte.

Com o anúncio sobre a modalidade estar inclusa no Ciclo Olímpico de Tokyo 2020, o skate institucional ganhou visibilidade. Não raro, passamos a ouvir sobre associações, federações e até confederação, criadas por pessoas de fora do skate, se apresentando como “salvadores do skate olímpico”.

Quem não lembra da campanha #SomostodosCBSk em 2017? A campanha era na verdade um grito da comunidade skateboard por REPRESENTATIVIDADE. Todos se questionaram sobre a notícia dos patins gerir o skate. Por mais que alguém dos patins tivesse mérito e qualificação para gerir um esporte, os skatistas não aceitavam que alguém dos patins fosse o representante do skate.

Dito tudo isso, faço um questionamento: – nós skatistas vamos assumir a missão de organizar as associações em nossas cidades ou vamos deixar esse trabalho de organizar o skate nas mãos da galera de outras modalidades como o futebol, vôlei, badminton, de políticos e outras pessoas sem atuação no skate?

Existe uma galera nos outros esportes que tudo que faz, faz bem feito e dá o sangue pela missão que assume. Mas o que seria dito por aí se um jogador de futebol, que não tem ligação com o skate, viesse presidir uma associação de skatistas? No mínimo falariam que no skate não existem skatistas capazes de organizar o skate institucional nas suas cidades! Ou que os skatistas brasileiros não têm competência para organizar o skate olímpico nas federações estaduais, na Confederação Brasileira!

No skate temos gente boa e gente “ruim “, como tem em todo lugar, mas o quadro de skatistas com qualificação técnica e profissional é muito vasto, tanto que o skate chegou onde chegou graças aos próprios skatistas. Um sempre ajudando o outro, trocando ideias e conhecimento, fazendo o autofinanciamento do esporte e dos esportistas.

Uma coisa que nos torna diferentes de outros esportes é a união, a unidade. É a ausência de rivalidade. Sempre lutamos para preservar a cultura skateboard que está diretamente ligada à alegria, à amizade, a festa que é andar de skate com a galera e ver o parceiro acertando aquela manobra na base.

Cada um contribui como pode, todos os amigos de outros esportes podem nos ajudar, mas ninguém deve “tomar nossa vez de acertar ou errar”. Ninguém pode “tomar” nosso lugar, nem nos municípios, nem em lugar nenhum.

Quanto às pistas de skate construídas no Nordeste nos últimos meses, saibam os skatistas que essa responsabilidade é de cada skatista nas cidades onde esses “elefantes brancos” estão sendo erguidos. Tudo porque todos têm que lutar pela boa aplicação de recursos públicos, independentemente de fazer parte de uma associação ou não. Mas se todos participarem das atividades das associações locais, essa entidade será bem mais forte e representativa.

Essa também é uma chamada para você, skatista de Teresina. Em dezembro de 2020 teremos eleição na ATS (Associação Teresinense de Skate), mas todos os dias é dia de lutar pelo Skateboard.

O skate institucional precisa de skatistas.

Essa é a vez dos skatistas brasileiros!

Tudo no skate sempre foi de Skatista para Skatista! E é assim que sempre será!

Temos orgulho de ter “skate na veia”.

E nós sempre vamos cantar o refrão:

“Me orgulho de ser brasileiro. Skate na veia, só quem tem sabe como é que é, a sensação e o poder de dar um ollie air”.

Carla Mata, 40 anos, skatista, piauiense, nordestina, mãe de skatistas, membro da Associação Teresinense de Skate (ATS), diretora na Federação Piauiense de Skateboard (FEPISk), 23 anos de skateboard.

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